Grupo hoteleiro Meliá deixa Cuba devido a dificuldades geradas por sanções dos EUA

Grupo hoteleiro Meliá deixa Cuba devido a dificuldades geradas por sanções dos EUA

A cadeia hoteleira espanhola Meliá declarou esta terça-feira que encerrará completamente as operações em Cuba, desferindo um duro golpe na indústria do turismo da ilha, que enfrenta sanções e um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Cadeia hoteleira espanhola Meliá encerra todas as suas atividades em Cuba | Ernesto Mastrascusa - EPA

Um comunicado da empresa informou que a decisão, que entrará em vigor na sexta-feira, se deveu às "significativas dificuldades operacionais, legais, económicas e financeiras que afetaram persistentemente, e continuam a afetar, o ambiente" em Cuba.

A indústria do turismo de Cuba era anteriormente um motor da economia do país. A decisão da Meliá surge após novas sanções anunciadas pelos EUA a 13 de julho, que colocaram na lista negra o Ministério do Turismo de Cuba, parceiro de negócios de mais de uma dúzia de hotéis que a cadeia hoteleira ainda operava na ilha.

A cadeia já tinha suspendido anteriormente a gestão de 15 hotéis que operava através de um acordo com uma agência de turismo gerida pela GAESA, um conglomerado empresarial militar cubano que foi sancionado pelos EUA em maio. A empresa retirou agora completamente os seus negócios de Cuba.

A Meliá chegou a possuir 34 hotéis de cinco estrelas em Cuba, predominantemente em Havana, a capital do país, e em localizações idílicas como a estância de Varadero. Era também uma cadeia altamente simbólica para a ilha, no seguimento da abertura ao turismo da nação caribenha após o colapso da União Soviética, há mais de 35 anos.

As medidas dos EUA contra empresas que operam em Cuba incluem o congelamento dos seus ativos e o encerramento das suas contas nos EUA - o que significa que deixam de poder operar no mercado financeiro americano - e também proibições de viagem para os seus acionistas, investidores e funcionários.

Os EUA intensificaram a pressão sobre a ilha após a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, procurando a queda do Governo cubano e mudanças no seu modelo político e económico. Implementaram também um embargo energético que levou à crise atual.

O resultado tem sido apagões diários com duração superior a 20 horas, escassez de medicamentos que coloca o sistema de saúde à beira do colapso, o colapso do abastecimento de água e transportes paralisados.

Paolo Spadoni, professor associado no Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Augusta, na Geórgia (EUA), declarou à agência Associated Press que a saída da Meliá demonstra o impacto estrondoso das políticas do pPresidente norte-americano Donald Trump, que estão a fechar "metódica e sistematicamente todas as fontes de divisas para o Governo cubano".

O turismo caiu a pique com a retirada de grandes cadeias, como a espanhola Iberostar e a canadiana Royalton, bem como com o cancelamento de voos para Cuba por parte de companhias aéreas como a World2Fly, a Air France e a Iberia.

No primeiro trimestre deste ano, a chegada de turistas a Cuba diminuiu 48% em comparação com o mesmo período de 2015, totalizando apenas 298 000.

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